Depressão na Adolescência
A adolescência é uma fase complicada, de muitas descobertas, transições e conflitos. Por isso, é comum que o adolescente apresente algumas mudanças comportamentais características da idade. No entanto, essa fase também é um momento da vida vulnerável à depressão e, justamente pelas crises normais da adolescência, o diagnóstico pode ser um pouco complicado.
Com tantas transformações no corpo, surgimentos de novas responsabilidades e dúvidas sobre o futuro, é normal que o adolescente tenha mudanças repentinas de humor e se sinta mais irritado, desanimado, confuso e incompreendido. O problema começa quando esses comportamentos duram mais que duas semanas e impedem que o adolescente vá à aula, saia com os amigos e realize suas atividades normalmente, o que já pode significar um quadro de depressão ou ansiedade.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 13% dos adolescentes sofrem com depressão. Com isso, toda a rotina é interrompida, pois o depressivo não consegue conduzir sua vida de maneira normal. A depressão, quando não tratada, se torna cada vez mais grave e mais intensa, conduzindo a diversos casos de suicídio, sendo uma das maiores causas de morte entre jovens. O suicídio é a consequência mais grave da doença, mas não é a única, pois ela afeta múltiplas funções e causa danos psicossociais significativos.
“Dois terços dos suicídios são cometidos por adolescentes que estavam clinicamente deprimidos”, diz a psicóloga Luiza de Lima Braga, que pesquisou o comportamento suicida em adolescentes em seu trabalho de mestrado pela UFRGS.
Não é difícil encontrar adolescentes deprimidos, que constantemente, escutam da família frases do tipo: ‘você está chorando de barriga cheia’ ou ‘você não tem problemas, não tem motivos para estar triste’. Porém, desvalorizar o sofrimento do adolescente é a pior atitude que a família pode adotar nestas situações. A depressão, é uma doença como qualquer outra, e deve ser tratada com seriedade e legitimidade.
Alguns sintomas são bem típicos da depressão na adolescência e podem servir como um alerta. Entretanto, é necessário considerar a intensidade e a frequência destes sinais, dentro de um contexto mais amplo.
São eles:
- Humor Depressivo: 0 adolescente parece não sentir alegria ou prazer de viver. Mostra-se melancólico, entediado, indisposto e sem esperança. Tem baixa autoestima e pode apresentar crises de choro sem razão aparente;
- Agitação: mau humor, descontrole emocional e explosões de raiva podem fazer parte do quadro depressivo.
- Apatia: às vezes, é confundida com preguiça, cansaço. O adolescente demonstra falta de energia, cansaço frequente e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
- Concentração: frequentemente está associada à queda no rendimento escolar. Em alguns casos, o jovem depressivo abandona os estudos;
- Auto Mutilação: em situações de extremo sofrimento, alguns adolescentes podem adotar um comportamento autodestrutivo, cortando-se ou queimando-se. Provocar dor física é uma forma de tentar tirar o foco da dor emocional;
- Uso de Drogas: Muitas vezes, resultante de tentativas de automedicação para alívio do sofrimento causado pela doença.
- Pensamentos suicidas: São comuns ideias mórbidas e tentativas de suicídio;
A depressão é uma doença e precisa de tratamento específico. Para isso, é fundamental procurar um psicólogo que faça um diagnóstico assertivo e consiga ajudar o adolescente com sessões de terapia, além de encaminhá-lo para um psiquiatra indicar o tratamento com medicamentos antidepressivos, se for o caso.Os remédios são necessários porque a depressão é uma doença do desequilíbrio do cérebro. Os neurotransmissores do depressivo não funcionam da maneira correta, dificultando a transmissão de estímulos. É nisso que os remédios agem, revertendo essa situação e regularizando o funcionamento do cérebro.
Nem todos os casos requerem medicação, mas é fundamental o envolvimento dos familiares. “Os pais devem acompanhar de perto o tratamento, seguir as orientações dadas pelos profissionais envolvidos, não julgar ou criticar o filho por estar deprimido e, se necessário, realizar mudanças no ambiente familiar”, diz o psiquiatra Miguel Angelo Boarati. Orientar a escola também é importante, para que o jovem não tenha perdas acadêmicas durante o tratamento.
Segundo Boarati, os conflitos em família, as cobranças por desempenho em múltiplas tarefas e a falta de diálogo em casa podem ser gatilhos que desencadeiam a depressão nos adolescentes.
Fontes: Marina Oliveira, Suzel Tunes, Thaiana Brotto.

